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Vento

Repito silenciosamente “quero que ele apareça, quero que ele apareça, quero que ele apareça”. O sentimento é incontrolável. Os pensamentos se tornam rebeldes e até mesmo se concentrar em algo se mostra difícil. “Aparece, aparece, aparece, aparece”. Queria lhe ver. Provavelmente eu fingiria que nem me importo e sorriria com toda leveza. Em seguida lhe abraçaria. E no mais longo de todos os abraços perderia os sentidos com seu cheiro inebriante. Colaria meus lábios em seu pescoço e esqueceria que ainda preciso respirar.

Volto a respirar. Continuo sentada no banco, com o mesmo livro de sempre nas mãos, com o mesmo olhar perdido, com o mesmo pensamento. “Aparece, aparece, aparece, aparece”. O café já esfriou e o cigarro foi fumado pelo vento. Vento sul. Vento sacana. Olho pra um lado, olho pro outro. Nada. Ninguém. Nem sombra de um novo coração, muito menos cinzas do velho. Jogo o café frio no gramado e acendo mais um cigarro. O último cigarro, depois desse prometo que paro.

O livro, que já não prende mais minha atenção, coloco de lado. Desisto. Hoje realmente não é um bom dia. Esse vento quente sufoca ainda mais meu pensamentos. Se ao menos o vento trouxesse seu cheiro.

Café. É isso que falta, até mesmo nos dias mais quentes. E é justamente o café que me traz ele. O vejo na fila.

“Um café puro com açúcar, por favor”

“O mesmo pra mim”

Um sorriso e já consigo imaginar a próxima parte da história.

Sol cinza

Com o mundo inteiro entalado na garganta fica difícil conversar, fica difícil até respirar. Inchando minha mente. Sufocando cada palavra. Por que há dias em que os dias não fazem sentido algum? Por que existem os dias, se tudo parece tão vazio?

Garganta sufocada, coração vazio, sem mãos dadas e sem suspiros.

O que fazer em mais um dia de sol, se até o sol me parece cinza hoje?

Acho que preciso de um novo coração, este já não consegue bater.

Title And Registration – Death Cab For Cutie

tá foda

Fuga

… às vezes é mais fácil fugir do que ficar pra dizer adeus.

Nostalgia

De nada adiantou. Nenhum café, nenhum beijo, nem os abraços. Nada fez você voltar. Nada fez você se apaixonar. Meus olhos se enchiam de esperança a cada respiração sua, como se a cada instante você pudesse mudar de ideia e me visse não mais como amiga e sim como amor. Minhas mãos quentes, sempre esperando pelo enlace aos seus dedos. Meu sorriso torto, meio bobo, completamente feliz por você estar por perto. Agora o olhar é cinza, perdido, sem foco, as mãos geladas seguram o cigarro que insiste em terminar rápido demais, me obrigando a fumar um atrás do outro. Já não há mais amor. Apenas nostalgia. Nostalgia do que não foi.

Estou triste, mas estou bem. Sinto sua falta, mas ainda consigo sorrir. Sonho contigo, mas continuo acordando. Disfarço, mas continuo chorando. Disfarço as magoas com novos amigos. Disfarço a dor com novos sonhos. Disfarço o amargo com mais um pouco de açúcar. Acendo só mais um cigarro. O último cigarro para a última lágrima.

Mentira.

Choro novamente ao anoitecer.

E a rádio toca a sua música. Por alguns instantes fecho os olhos e coberta por uma nuvem de fumaça e nostalgia te sinto próximo. Abro os olhos e não há ninguém. O desfecho dessa história não está certo. Ainda acredito no final feliz.

Estou tão cansada de corações partidos. Sei que tudo está perdido. Sei que não há o que fazer. Mas continuo vendo em você a medida para mim. Como você não consegue ver o quão perfeitos nós somos um para o outro?

Anoitece novamente. Acendo mais um último cigarro para mais uma última lágrima

Tem dias que acordo e fico vagando sozinha pela cidade. E a cidade está sozinha também. Não há cores. Não há cheiros. Sem sensação alguma. Quando percebo que é a saudade quem me fará companhia nesse dia tão insosso, eu finjo. Atravesso a rua e finjo que você ainda segura minha mão. Imagino o que estaríamos conversando e rio sozinha. E a cidade se ilumina por uma fração de segundos. E a saudade foge achando que é você quem está por perto.

A fração de segundo acaba. A saudade retorna. E a cidade chora. Porque sem você as cores não veem sentido em se mostrar e tudo que é belo se esvai.

Talvez eu ainda te ame.

Talvez eu ainda queira te beijar.

Talvez o meu mundo seria bem melhor com você.

Talvez eu nunca deixe de te amar.