Minha irmã e eu tatuamos nossa família em nossa coxa.
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Parece que esse espírito natalino, ou reveillonino, muda realmente nossa mente e talvez até nosso coração. Nesse fim de ano, fugi de festas, de fogos, de amigos, de apaixonites. Fugi de todos, fugi de tudo. “Por quê?”, minha mãe questionava. “E por que não?”, minha amiga dizia. A resposta é “não sei”. Voltei para minha antiga e até pacata demais cidade para passar as festas de fim de ano com minha família. Mãe, irmã e irmão. Tentar repor minhas ideias no lugar, talvez arrancar algumas burrices e enfiar algo de bom no lugar.
No início, tudo deu errado. Absolutamente tudo! Absurdamente tudo! Foi a primeira vez que voltei para casa e não fui para casa. Minha mãe vendeu nossa antiga casa. E na nova casa (na realidade, um apartamento) não há um lugar para meu cão e meu gato, o Hurley e o Burton. E do mesmo modo, achei que não houvesse um lugar para mim. Foi difícil conseguir digerir tudo isso. E de início esse foi o motivo de muitas brigas e lágrimas. Um péssimo modo de terminar o ano. Minha mãe nos trocou por um sofá? Perguntava-me isto toda vez que entrava na sala/quarto. E para completar, minha irmã irá se mudar para São Paulo. Já sabia que isso iria acontecer, mas parecia ser algo tão distante e na realidade será em alguns dias. Não somos as irmãs-perfeitas que nunca discutem e nem arrancam os cabelos uma da outra, mas sempre estivemos juntas, ou pelo menos próximas. Foram poucos os dias que passei se conversar com ela. E com certeza sentirei muito, muito mesmo sua falta. Além disso, uma de minhas melhores amigas se mudou para Londres, e Londres não fica a 35 reais de distância e é meio complicado ir e voltar num fim de semana. Sei que ela voltará em um ano, mas isso não torna a saudade menos dolorida. Um antigo namorado e de certa forma “eterno amor” se apaixonou por um novo amor, enquanto que eu continuo evitando todos os que se aproximam de mim e principalmente do meu coração. Como enfrentar isso sem furtar? Esta foi a pergunta que me fiz todas as noites. A resposta não foi tão difícil, de certo ponto foi até óbvia, mas nem por isso menos dolorosa.
Por todo esse tempo, fui eu quem se mudou. Eu quem ditou as regras. Eu que mudei de cidade tantas vezes, de casa, de universidade, de namorado, de amigos, de planos, de ideia. Deixei muitas coisas para traz esperando conhecer e descobrir milhares de coisas novas. E nesse “deixa e traz” conheci pessoas incríveis, vivi e vi coisas que eu nunca imaginei. Mas ao mesmo tempo, muito de mim ficou, muito de toda minha essência se perdeu em algum lugar do caminho. E foi em uma dessas madrugadas de insônia enquanto assistia “Closer” e “Sex and the City”, pela milésima vez, e o sol nascia entre as montanhas. Fui até a sacada e percebi. O sol continua sendo o mesmo e nascendo toda manhã no mesmo lugar. A luz do luar não invade a casa da mesma forma que antes e as estrelas não iluminam tanto com todas essas luzes. Mas não importa, da janela do meu quarto ou da sacada de um prédio, será o mesmo sol, será a mesma lua e as mesmas estrelas. Todo esse tempo e todas essas lágrimas para chegar a essa conclusão tão simples. Eu diria até clichê. Mas quem não gosta de clichês, não é?
Amigos aqui, amigos lá. Casa cá, casa acolá. Abraços de uns, adeus de outros. Não importa. Há sempre os que ficam e os que vão. Sei que sentirei falta de tudo. Todas as antigas coisas em seus antigos lugares. Mas se nem eu consigo parar quieta nesse mundo, como poderei exigir que o mundo pare para mim? Esse foi o fim de um ciclo. Não simplesmente o fim de um ano, até porque a maioria das pessoas faz a contagem regressiva e a única coisa que muda é a data. Claro que meu mundo não virou e desvirou no 3, 2, 1… mas sim, numa bela manhã sábado.
PS.: Acho que brindar com coca-cola na virada dá sorte.
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Repito silenciosamente “quero que ele apareça, quero que ele apareça, quero que ele apareça”. O sentimento é incontrolável. Os pensamentos se tornam rebeldes e até mesmo se concentrar em algo se mostra difícil. “Aparece, aparece, aparece, aparece”. Queria lhe ver. Provavelmente eu fingiria que nem me importo e sorriria com toda leveza. Em seguida lhe abraçaria. E no mais longo de todos os abraços perderia os sentidos com seu cheiro inebriante. Colaria meus lábios em seu pescoço e esqueceria que ainda preciso respirar.
Volto a respirar. Continuo sentada no banco, com o mesmo livro de sempre nas mãos, com o mesmo olhar perdido, com o mesmo pensamento. “Aparece, aparece, aparece, aparece”. O café já esfriou e o cigarro foi fumado pelo vento. Vento sul. Vento sacana. Olho pra um lado, olho pro outro. Nada. Ninguém. Nem sombra de um novo coração, muito menos cinzas do velho. Jogo o café frio no gramado e acendo mais um cigarro. O último cigarro, depois desse prometo que paro.
O livro, que já não prende mais minha atenção, coloco de lado. Desisto. Hoje realmente não é um bom dia. Esse vento quente sufoca ainda mais meu pensamentos. Se ao menos o vento trouxesse seu cheiro.
Café. É isso que falta, até mesmo nos dias mais quentes. E é justamente o café que me traz ele. O vejo na fila.
“Um café puro com açúcar, por favor”
“O mesmo pra mim”
Um sorriso e já consigo imaginar a próxima parte da história.
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Com o mundo inteiro entalado na garganta fica difícil conversar, fica difícil até respirar. Inchando minha mente. Sufocando cada palavra. Por que há dias em que os dias não fazem sentido algum? Por que existem os dias, se tudo parece tão vazio?
Garganta sufocada, coração vazio, sem mãos dadas e sem suspiros.
O que fazer em mais um dia de sol, se até o sol me parece cinza hoje?
Acho que preciso de um novo coração, este já não consegue bater.
Title And Registration – Death Cab For Cutie
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… às vezes é mais fácil fugir do que ficar pra dizer adeus.

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De nada adiantou. Nenhum café, nenhum beijo, nem os abraços. Nada fez você voltar. Nada fez você se apaixonar. Meus olhos se enchiam de esperança a cada respiração sua, como se a cada instante você pudesse mudar de ideia e me visse não mais como amiga e sim como amor. Minhas mãos quentes, sempre esperando pelo enlace aos seus dedos. Meu sorriso torto, meio bobo, completamente feliz por você estar por perto. Agora o olhar é cinza, perdido, sem foco, as mãos geladas seguram o cigarro que insiste em terminar rápido demais, me obrigando a fumar um atrás do outro. Já não há mais amor. Apenas nostalgia. Nostalgia do que não foi.
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Estou triste, mas estou bem. Sinto sua falta, mas ainda consigo sorrir. Sonho contigo, mas continuo acordando. Disfarço, mas continuo chorando. Disfarço as magoas com novos amigos. Disfarço a dor com novos sonhos. Disfarço o amargo com mais um pouco de açúcar. Acendo só mais um cigarro. O último cigarro para a última lágrima.
Mentira.
Choro novamente ao anoitecer.
E a rádio toca a sua música. Por alguns instantes fecho os olhos e coberta por uma nuvem de fumaça e nostalgia te sinto próximo. Abro os olhos e não há ninguém. O desfecho dessa história não está certo. Ainda acredito no final feliz.
Estou tão cansada de corações partidos. Sei que tudo está perdido. Sei que não há o que fazer. Mas continuo vendo em você a medida para mim. Como você não consegue ver o quão perfeitos nós somos um para o outro?
Anoitece novamente. Acendo mais um último cigarro para mais uma última lágrima
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Tem dias que acordo e fico vagando sozinha pela cidade. E a cidade está sozinha também. Não há cores. Não há cheiros. Sem sensação alguma. Quando percebo que é a saudade quem me fará companhia nesse dia tão insosso, eu finjo. Atravesso a rua e finjo que você ainda segura minha mão. Imagino o que estaríamos conversando e rio sozinha. E a cidade se ilumina por uma fração de segundos. E a saudade foge achando que é você quem está por perto.
A fração de segundo acaba. A saudade retorna. E a cidade chora. Porque sem você as cores não veem sentido em se mostrar e tudo que é belo se esvai.
Talvez eu ainda te ame.
Talvez eu ainda queira te beijar.
Talvez o meu mundo seria bem melhor com você.
Talvez eu nunca deixe de te amar.
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